Respiro a única felicidade que sou capaz - uma consciência atenciosa e cordial. Passeio o dia todo(...) cada ser que encontro, cada cheiro dessa rua, tudo é pretexto para amar sem medida. Jovens mulheres supervisionam uma colônia de férias, a trombeta do vendedor de sorvetes, as barracas de frutas, melancias vermelhas com caroços negros, uvas translúcidas e meladas - tantos apoios para quem não sabe ser só. Mas a flauta ácida e terna das cigarras, o perfume de águas e de estrelas que se encontram nas noites de setembro, os caminhos aromáticos entre as árvores de pistache e os juncos. tantos sinais de amor para quem é forçado a ser só.
Albert Camus
(via thaynavaladao)
(Source: elasocurterap, via nataliapavani)
(via madeofdreamsanddesires)
Cá estou eu, de frente para ela. A minha árvore. Um dia foi nossa, lembra?
Cá estou eu, olhando para a escrita que a exatamente um ano fiz. Em volta de um coração, dois nomes lá estavam escritos com a sua letra tremida, escrita com a minha chave. Tinha um chaveiro de coração… Você tinha a outra metade, lembra? Não deve lembrar. Não deve lembrar sequer desta árvore, sequer de mim.
As vezes me pergunto por quê você foi, não encontro respostas além das que me criticam e fazem de mim a pior namorada do mundo, ou a melhor ex, sei lá.
— Você ainda fala sozinha?
— Hã… Oi? O que vo-você está fazendo a-aqui?
— Eu vinha andando de bicicleta com uns amigos, decidi vir aqui, olhar se ainda tinham nossas marcas.
— Ah, claro. Eu também. Bom, não vim olhar se tinham elas, na verdade, vinha passando e foi inevitável parar… Estamos no outono, ela fica linda no outono.
— Cadê sua câmera?
— Hã?
— É! Você amava fotografar ela, cadê a câmera?
— É que eu não trouxe.
— Por quê não? Nós não merecemos uma foto?
— Nós? Como eu pensaria que você estaria aqui? Nós… (falou com ironia)
— Você sabe que odeio esse tom. E bom, seria previsível nos encontrarmos aqui.
— Po-por que?
— Ué, porque passamos sempre por aqui, né?
— É… hm. Acho melhor eu ir embora.
— Seu namorado está te esperando?
— Que namorado?
— O seu.
— Eu não estou namorando.
— Não?
— É… Não.
— Eu achei que você ia escrever nomes novos na nossa árvore… Me assustei.
— Não se preocupe, isso não acontecerá tão cedo… Não sei você.
— Eu? (ironizou) Rã… capaz!
— Bom… estou indo. (segurou as lágrimas)
— Espera.
— O que?
— É que… Bom, hoje faz um ano.
— O que? (gritou)
— Faz um ano que nos conhecemos. Foi por isso que vim aqui. Achei que talvez eu te reencontraria aqui e a gente sei lá, fingiria que nada aconteceu, você subiria na minha bicicleta e eu te levaria tomar aquele sorvete que você gosta, que eu amava te levar tomar.
— Um ano. Crescemos. Não sei se cometeria o mesmo erro.
— É? Que erro? Me conhecer?
— Acreditar em você.
— Eu só pedi para que você me esperasse.
— Enquanto eu te esperei você namorou três vezes. (Pegou a bolsa no chão)
— Eu tentei te esquecer sim.
— Você não tinha motivos, eu não dei nenhum. Eramos perfeitos, dávamos certo, eramos felizes, não eramos?
— Sim… Muito.
— Então?
— Tive medo.
— De ser julgado por namorar a estranha aqui?
— Não! (gritou) Tive medo de estar apaixonado mesmo, desde a primeira vez que te vi. Eu tentei fugir ao pedir para que você fosse embora, mas senti sua falta e a cada boca que tocava, esperava que fosse a sua. Em vão. Devo ter estragado tudo com a mulher da minha vida por um medo idiota de me magoar, mas quem me magoou na verdade não foi você, fui eu mesmo. Palmas pra mim, idiota do ano. Você estava certa.
— Idiota.
— Sou.
— O meu idiota.
— Hã?
— Eu amo você.
— Eu também te amo.
(silêncio)
— Eu trouxe a minha câmera, querida…
— E eu trouxe a minha chave.
— Depois quer tomar um sorvete?
— Só se você me levar na sua bicicleta.
(via frasesatormentadas)
(Source: laizamontezano, via madeofdreamsanddesires)
(Source: salto-vinte, via madeofdreamsanddesires)